Aldenora Barroso

 
 
 

             Eu nasci no estado do Maranhão e desde novinha me entendo por evangélica. Meus pais e toda minha família eram da Assembléia de Deus. Éramos doze irmãos, todos criados na Assembléia. Meu pai era pregador e muito atuante na igreja, até o dia em que minhas irmãs resolveram casar-se com rapazes de fora da igreja. Meus cunhados foram batizados na Assembléia posteriormente, mas mesmo assim, minhas irmãs foram excluídas do companheirismo da igreja. Com isso meu pai ficou profundamente chateado com a direção da igreja e, sendo ele um homem de muita opinião, decidiu sair da igreja com toda família. Continuamos nossos cultos em casa mesmo. Todos os dias, de manhã e à noite, nos reuníamos em volta da mesa para louvar, ler a Palavra e orar.

            Até que um dia veio de Brasília um missionário da Igreja Brasil para Cristo, que abriu uma igreja no povoado onde morávamos e lá voltamos a frequentar uma igreja. Nessa época todos os meus irmãos e irmãs já haviam casado e eu era a única adolescente em casa. Dedicava-me a ajudar o missionário com a escolinha das crianças, e assim vivi por muito tempo, trabalhando com muito prazer naquilo que eu tinha aprendido como vida com Deus.

            Algum tempo depois, meu pai resolveu vir ao Rio de Janeiro, em busca de uma irmã minha que havia saído do Maranhão e nunca mais voltara. E ele resolveu trazer-me junto com ele, contrariando a vontade de minha mãe. E aqui no Rio de Janeiro foi que eu conheci o “mundo”. Resolvi trabalhar fora e, então, a usar calça comprida, bermuda, cortar cabelo… Mas no fundo do meu ser eu tinha temor a Deus. À noite, eu orava e pedia perdão a Deus por essas coisas erradas que eu fazia.

            Meu pai não se adaptou ao Rio de Janeiro e voltou para o Maranhão, e vez ou outra vinha nos visitar. Numa dessas vindas ao Rio ele veio falando de um profeta. Ele nos contou que estava ouvindo rádio, lá no Maranhão, quando ouviu uma pregação de um pastor chamado Joaquim Gonçalves e que este pregava a palavra verdadeira. Isso foi por volta de 1978. Lá ele havia entrado em contato com o pastor através da caixa postal e este enviou um pastor de Teresina para batizá-lo no nome do Senhor Jesus Cristo. E meu pai também pregou para minha irmã Maria e seu esposo Luis Bruno, que hoje é um pastor da Mensagem lá no Maranhão. Da mesma forma, pregou para meu irmão José Barroso, que creu também. E quando ele pregou pra mim sobre Malaquias 4:5-6, eu não tive dificuldade nenhuma, porque eu orava e pedia a Deus para que me colocasse em uma igreja onde pregassem a Verdade. Porém, demorei muito tempo para descobrir onde era a igreja da mensagem aqui no Rio. Mas eu ensinava meus filhos a Palavra de Deus, do jeito que meu pai tinha ensinado. Meu esposo nunca teve uma religião, mas tem temor e nunca se opôs a minha maneira de crer.

            Meu pai também falou da mensagem para um irmão meu chamado Antônio Barroso, porém ele não creu de imediato. Um dia ele resolveu ir morar em São Paulo e lá Deus o encontrou. E quando um dia ele veio me visitar no Rio de Janeiro, me surpreendeu dizendo que estava firme na mensagem e que sabia o endereço de onde estava a mensagem aqui no Rio. Então ele me levou até Cascadura, onde estava a igrejinha do pastor Véber Cordeiro, igreja pequena, mas  já tinha um número bem grande de pessoas. E no mesmo dia que fui à igreja, já pedi meu batismo. Eu fui sabendo o que eu queria.

            Meu batismo foi em Jacarepaguá, em abril de 1993. Eu lembro que o lugar onde me batizei foi um lago, em meio a uma mata verde, porém estava muito sujo. O irmão Horácio, que estava junto, tentou limpar, mas acabou a água ficando mais turva ainda. Porém a irmã Telma, de Cabo Frio, que também estava conosco, disse para que eu não ficasse preocupada, porque Deus iria limpar aquela água para que eu pudesse entrar ali. E eu disse que não seria problema para mim. E todos começaram a cantar: “Nome bom, doce a fé, a esperança do por vir…”, então eu desci no riacho, com a ajuda do irmão e a partir daí não vi mais nada, parecia que eu estava flutuando, pois não me sentia no chão. De repente, era como se eu não estivesse mais naquele lugar. Com meus olhos fechados, eu tive uma visão, me vi em um lindo lago, com águas azuis e límpidas, eu conseguia ver os meus pés no fundo. Vi que em volta desse lago havia um belo jardim cheio de flores amarelas. E eu comecei a glorificar a Deus, juntamente com todos que estavam ali, e então eu fui emersa na água. Quando levantei e abri meus olhos, para minha surpresa, não havia um lago transparente e nem um jardim de flores amarelas, mas haviam milhares e milhares de pequenas borboletas amarelas que invadiram todo aquele lugar. Todos viram aquilo e eu nunca mais esqueci aquele momento, foi a experiência mais linda que vivenciei.

            E assim, muitas coisas Deus tem feito na minha vida. Desde 1993 tenho sido muito feliz. Eu digo sempre que moro em um lugar simples, minha casa é muito simples, não tenho estudo, não tenho dinheiro, não tenho renda, mas sou uma pessoa muito feliz. Não tenho por que viver reclamando da vida.

            Tenho um problema na coluna que me causa muita dor e que ainda não fui curada, mas isso não me impede de servir ao meu Deus. Não me impede de louvar, adorar e de ir à igreja. Tenho certeza que sou uma eleita, nasci para servir a Deus. Estou hoje com 65 anos e eu não tenho dúvida nenhuma da minha salvação. Nesta mensagem tenho tudo o que preciso: pessoas que amo e com as quais quero estar sempre por perto.