Saulo Ribeiro

 
 
 

“Paciente 33 anos masculino, em investigação de linfodenopatia cervical difusa, occipital, retroauricular e inguinal a aproximadamente 30 dias , associada a febre diária e perda ponderal de aproximadamente 10 kg neste período, raio X de tórax normal, BAAR negativo, TC tórax e abdômen normal, atendido pelo Prof. Rogério Rufino que orientou procurar o serviço de infectologia, realizou biopsia de linfonodo cervical no INCA – Histopatológico pendente.”

Esta transcrição foi feita a partir de um documento datado de 30/04/2012, quando fui acometido por uma enfermidade desconhecida que perturbou nossas vidas.

Inicialmente tive febre alta por vários dias, ao procurar os médicos diagnosticaram uma virose que em sete dias passaria, mas a febre continuou e após esse período tive outro diagnóstico de Dengue, que também passaria em duas semanas. Passado o tempo sem que a febre e a perda de peso parassem, fui orientado por uma médica a procurar um especialista, pois se tratava de uma doença mais complexa, que poderia me levar a óbito.

Fui atendido no Hospital Universitário Pedro Ernesto, um Centro de estudos e referência em Saúde no Estado do Rio de Janeiro. Nesta ocasião fui atendido pela então médica residente Joana Acar, que faz parte da equipe do médico anteriormente citado, um especialista em infectologia, com mais de 30 anos de experiência, que iniciou uma investigação e disse que fosse qual fosse a doença, iria descobrir. Disse ainda que faria uma lista e que por último investigaria o Linfoma (tipo de câncer). Durante quase um mês fiz dezenas de exames (Anti-HIV, CMV, toxoplasmose, Rubéola, VDLR, Tuberculose, citomegalovírus, Epstein BAAR  entre outros). Nesse momento, fui informado que deveria imediatamente suspender todas as minhas atividades, principalmente deveria me afastar de minhas filhas e de minha esposa, devido à possibilidade da doença ser infectocontagiosa.

Aí, meu mundo desabou, muita tristeza e angústia. Devo confessar que fiquei muito abalado emocionalmente, contudo, nessa hora difícil da caminhada, quando a caminhada fica dura, só os duros continuam caminhando, é quando os verdadeiros amigos podem ser forjados.

Não poderia fazer este relato sem citar alguns nomes:  em especial, agradeço a minha esposa e filhas pela dedicação, a minha mãe e irmã, Rafael, Véber Junior e família, Rosinaldo e família, irmã Alessandra, enfim, agradeço ao tabernáculo do Rio de Janeiro, que, neste momento tão difícil, intercedeu por mim.

                Gostaria de ressaltar um momento especial, quando Deus me visitou através do nosso diácono irmão Wilson: Em um domingo após o culto, ele foi até a minha casa. E eu estava muito abatido, sabe quando você vai ao culto esperando um carinho, um afago de Deus e naquele momento ele te corrige? Estava muito triste e minha fé estava enfraquecida, mas esse amado irmão entrou na minha sala, me abraçou e me disse: “existe  mais de Deus em você do que imagina.” e foi embora , naquele instante senti uma paz, senti que Deus estava comigo.

Pedi que minha mãe me levasse até o nosso pastor, pois queria receber uma oração. Chegando a sua casa, ele me recebeu em seu quarto, conversou comigo um pouco e me perguntou se havia algo que pudesse estar causando aquilo. Me examinei e disse que não tinha nada que acreditasse ser a causa, ele então pegou no meu pulso e por um bom tempo não disse nada. Logo após pegou uma lata de azeite, leu Tiago 5:15,  furou a lata, quando fez o furo o azeite começou a transbordar, e ele me disse: “essa é uma fonte transbordante do amor de Deus e nunca cessará.”.  Quem conhece o Pastor Véber sabe de suas dificuldades nas pernas, mas naquela hora, eu vi um homem cheio de dores se ajoelhar comigo e me ungiu com óleo, orou por mim e me disse que eu não morreria, disse que a minha vida era importante para o seu ministério e para que eu esperasse o resultado do exame, mas que o câncer tinha sido repreendido no nome do Senhor Jesus.

E engraçado que depois da oração, o pastor nunca mais falou sobre o assunto e quando alguém dizia alguma coisa, ele dizia: “O Saulo já foi curado.”.

No dia marcado para biopsia, senti muito medo, vendo aquelas pessoas carecas, mutiladas pelo câncer… Tive medo, mas segui em frente.

Certo dia eu estava dirigindo e ouvindo um louvor, quando minha irmã me ligou com o resultado da biopsia feita no hospital do Câncer, e como meu pastor disse, o resultado para a BIOPSIA DE FRAGMENTO foi NEGATIVA.

O médico não quis admitir e me mandou tratar de uma doença que já havia descartado, mas, sinceramente, “O MÉDICO ERROU”. Passado mais de um ano, nunca mais tive febre, recuperei o peso e estou muito agradecido a Deus pela minha cura.